22 de dez de 2006

Confissões

Custa muito reconhecer que estás distante.

Tantas foram as vezes que senti que estávamos cada vez mais próximos e agora... acabou.

Acreditas que estava fascinado?

A tua maneira de ser, tão diferente da minha, tão oculta, tão misteriosa, tão mística, era totalmente oposta à minha.

Afinal dizem que os opostos se atraem e eu concordo.

Não foi da minha cabeça.

Todos o diziam, todos o viam.

Eu sentia, eu via.

Olhavas para mim, chamavas por mim e falavas de mim.

Recordo-me das nossas (poucas) conversas.

Sempre te ouvi e sempre te tentei perceber.

Esforcei-me por te ajudar. (Agora vejo que os meus esforços foram em vão).

Por alguns momentos, eu dava-te mundo.

Dava-te chão. Dava-te algo concreto para te apoiares.

Tu gostavas e confessavas-me os teus desejos, as tuas ambições, possessões e o teu passado.

Passado esse que ainda te persegue juntamente com a carência afetiva.

Precisavas do afecto de alguém e eu dava.

Aproveitavas-te e eu nunca me importei.

Sentia-me bem fazê-lo.

As memórias conduzem-me àquele dia.

O dia em que os nossos corpos quase se fundiam espiritualmente e em que houve o toque das nossas extremidades. Longo tempo.

Abstracção de tudo.

Desejo.

Não me apaixonei por ti.

Eu sei que não.

Antes, fiquei viciado em ti.

Magnetismo, é isso! É a única explicação...

Sei que entrávamos em conflito. Era propositado.

Era um jogo só nosso. Chegámos a reconhecê-lo... os dois

Cheguei ao ponto de sentir repulsa e desprezo por ti. (Tanta ambiguidade!).

Ao mesmo tempo precisava de ti cada vez mais...

Sentia falta da tua voz e das tuas palavras.

De repente, desapareceste.

Eu já o sabia. Já tinha pressentido o teu afastamento.

Aconteceu; falhaste-me...

Desta vez fui eu: chamei-te longamente.

Não me quiseste ouvir. Foste agressiva e seca.

Concisa: como que a pôr um ponto final em algo que nunca chegou, sequer, a existir.

As tuas palavras magoaram-me e fizeram-me adoptar uma postura defensiva, como quem diz ingenuamente, “Eu só queria ajudar...”

Desabafei.

Solução: erradicar-te do meu pensamento.

Parei na agenda, li o teu nome, observei o teu número e faltaram-me as forças. Sentia que me tiravam o mundo, o chão e o apoio.

Não consegui, simplesmente.

Recordo-me de ti, inicialmente.

Sinto que te fiz mudar. Para melhor.

Todavia foi temporário.

Ainda te restará aí, algum dos meus conselhos?

Sinceramente, não sei.Desenvolvi uma relação “amor/ódio”.

Ou “amor paternal”.

Ou simplesmente criei laços.

É difícil soltar os nós...Tenho conseguido resistir: talvez o orgulho facilite! Gostava de conseguir ajudar-te.

Gostava que não me arrastasses contigo.

Há quem me puxe para fora do teu “buraco negro”, para fora dos teus problemas... felizmente.

Confesso.Custa muito reconhecer que estás distante.

Agora? Acabou...Noite, noite, noite.

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