12 de out de 2010

Coração Anatômico...

Existem homens que acreditam que o coração não passe de uma peça anatômica, sem a qual ele não consegue sobreviver, que tem suas obrigações fisiológicas e enquanto elas estão funcionando perfeitamente, isso basta. Usei a palavra sobreviver porque é exatamente isso que eles fazem, sobrevivem. Viver é para aqueles que acreditam que o coração é órgão subjetivo, é órgão sentimento, é órgão sensibilidade.


Eu me doei para um da primeira espécie, um erro MEU, pelo qual estou pagando o preço, bem alto por sinal. Eu me doei sem ter sido requisitada, mesmo sem perceber que o meu doar não era agradável, não era bem vindo, isso sai caro. Meu medo é me tornar um sobrevivente também. Reduzir meu coração subjetivo, em uma simples peça anatômica.

O sobrevivente é frio, sem sentimentos, nada o comove, não tem medo de magoar, o que importa é o que ele quer, nem que tenha que sair atropelando alguém. Você serve pra ele hoje? Ótimo, vamos aproveitar. Afinal, se pra ele é interessante, porque vai se preocupar que a atitude que tomar depois vai te causar dor? A dor é em você e não nele. Amanhã não serve mais? Passar bem. O dia que você for interessante novamente, ele te procura. Ele está errado? Não, errado está quem se deixa levar por ele, quem insiste em acreditar que os sobreviventes não existem, que ali existe alguém que conheça o que é emoção. Desculpe, decepcioná-los, mas ali só existe frieza. Se colocar uma pedra de gelo, ela não derrete.

Muitas vezes eles tem histórias tristes para contar, de como sofreram nas mãos das mulheres com quem se envolveram, o trabalho e dor de cabeça que tiveram quando tudo acabou e elas não compreenderam. NUNCA param pra pensar o porquê delas, de certa forma elouquecerem, um sobrevivente enlouquece qualquer mulher. Mulher é sentimento, nos custa acreditar que existam pedras de gelo ambulantes e que conviveram com uma sem perceber. É de enlouquecer qualquer uma, queremos alguma reação, qualquer uma, um olhar amigo, uma reação de ódio, de pena, de mágoa, mesmo que seja de felicidade de se ver livre de você, com o sobrevivente, esqueça. Só encontrará um muro, uma parede e cada vez que você tenta passar por ela, você se machuca. Parece que a cada machucado, criamos nova energia para tentar de novo, somos atraídas para essa parede, como a mariposa é atraída para a luz.

Até que nos tornemos também uma sobrevivente, um coração anatômico, uma pedra de gelo, um muro....

Eu não quero me tornar uma sobrevivente, que quero viver, quero ser feliz, quero rir, quero chorar, ficar alegre, ficar triste, mas quero viver. Viver é que nos trás felicidade. Quem sobrevive não é feliz.

2 comentários:

PapoPoetico disse...

talvez você se divirta em http://papopoetico.blogspot.com/
A poesia é necessária
Tudo de bom

Marcelo C _ D disse...

Acho que as pessoas expressam de maneiras diferentes o que sentem e que além disso pensam diferente sobre o que devem expressar. Se entregar a um sentimento não é fraqueza ou burrice, pelo contrário. Se a felicidade for genuína o bastante, mesmo que a chance de quebrar a cara exista (e sempre existe) burrice é não tentar.

Amar é não ter medo de parecer ridículo e as vezes a única forma de ser retribuído é se entregando primeiro. Sei que dói ter o coração machucado, mas quem não tem uma única cicatriz no coração é que é o sobrevivente.

Julgar alguém sem conhecer a história completa pode não ser frieza mas revela um lado do sentimental que eu prefiro não olhar. '-'